Braskem é dada em garantia a bancos

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Braskem é dada em garantia a bancos

2017-09-11T20:06:31+00:00 julho 20th, 2016|Notícias|0 Comentários

A Odebrecht ofereceu o controle da Braskem, considerada o principal ativo do grupo, em garantia aos bancos para finalizar a reestruturação de R$ 11 bilhões em dívidas da Odebrecht Agroindustrial. Foram usadas no acordo todas as ações que o grupo detém na petroquímica.

A concessão da garantia foi informada em fato relevante pela Braskem. A Odebrecht Serviços e Participações (OSP), sua controladora direta, tem 50,1% das ações ordinárias e 22,9% das preferenciais, fatias que somadas equivalem a 38,3% da petroquímica.

A expectativa inicial era que apenas as ações preferenciais da Braskem fossem usadas como garantia. Entretanto, apenas essa fatia não daria cobertura para a operação total pretendida.

A holding do grupo, a Odebrecht S.A. (ODB), assumiu R$ 4 bilhões da dívida da agroindustrial. Para tanto, captou linhas novas com os bancos credores e colocou o dinheiro na subsidiária.

Foi para essa operação que cedeu a Braskem. Sem considerar prêmio de controle, a fatia da Odebrecht equivale a R$ 5 bilhões, levando em conta que a petroquímica está avaliada em R$ 13 bilhões na bolsa de valores.

Dos R$ 4 bilhões que ODB levantar, R$ 2,5 bilhões serão abatidos da dívida da subsidiária e a diferença de R$ 1,5 bilhão fica no caixa da Agroindustrial.

Sob a ótica da holding, para obter um prazo total de 13 anos para R$ 11 bilhões de dívida – cinco de carência de principal e mais oito para pagamento – a dívida teve que subir para R$ 12,5 bilhões.

Na prática, os bancos quiseram trocar a garantia de suas dívidas da Agroindustrial para a Braskem.

A Odebrecht encara a garantia como um “empréstimo ponte” aos bancos até que cheguem os recursos das vendas de ativos que devem ocorrer até começo de 2017. Essas alienações podem trazer até R$ 12 bilhões em dinheiro novo ao grupo, segundo as estimativas da própria empresa. Conforme o dinheiro chegar, as garantias em Braskem serão “sacadas”.

Recentemente, foi vendida a concessão rodoviário no Peru, Rutas de Lima, por valor estimado entre R$ 1,3 bilhão e R$ 1,5 bilhão. A expectativa é que nos próximos dois meses seja concluída a venda da Odebrecht Ambiental, avaliada em cerca de R$ 5 bilhões.

Parte relevante da dívida reestruturada da Agroindustrial era garantida pela holding. Por conta disso, a ODB entrou como participante da renegociação e as ações do grupo na petroquímica pôde assim ser usada como garantia.

Parte relevante da dívida reestruturada da Agroindustrial era garantida pela holding. Por conta disso, a ODB entrou como participante da renegociação e as ações do grupo na petroquímica pôde assim ser usada como garantia.

Além dos R$ 4 bilhões em dinheiro, a Odebrecht vai transferir R$ 2,2 bilhões em ativos de energia à Agroindustrial, totalizando um suporte de R$ 6,2 bilhões à toda reestruturação.

A ODB encerrou 2015 com R$ 110 bilhões de dívida bruta, para R$ 26 bilhões em caixa. A holding, a despeito de evitar a contratação de dívida direta, fornece garantia e avais para as companhias da organização e possui compromissos com suporte de capital para diversos financiamentos de suas subsidiárias, além de seguros. O programa de venda de ativos, além de trazer dinheiro novo, vai eliminar R$ 17 bilhões em dívidas que serão transferidas junto com as empresas vendidas.