Mercado interno piora e Braskem amplia exportações

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Mercado interno piora e Braskem amplia exportações

2017-09-11T20:05:03+00:00 maio 6th, 2016|Notícias|0 Comentários

Fernando Musa, novo presidente da Braskem: “A demanda no exterior tem se mostrado muito mais positiva”

Maior produtora de resinas das Américas, a Braskem manterá os esforços de aumento das exportações ao longo dos próximos meses, numa tentativa de compensar o impacto negativo da crise econômica nas vendas domésticas. A petroquímica está mais pessimista em relação à demanda local das principais resinas (polietileno, polipropileno e PVC) e, agora, prevê queda de 7% em 2016, frente a previsão inicial de retração de 5%.

“Vamos ampliar ainda mais as exportações”, disse o novo presidente da Braskem, Fernando Musa. “A demanda no exterior tem se mostrado muito mais positiva e a Braskem tem alavancado a disponibilidade de produto a partir do Brasil”, acrescentou.
No primeiro trimestre, essa estratégia, o câmbio favorável às vendas externas e os spreads (diferença de preço em relação à matéria-prima) elevados de petroquímicos básicos e polipropileno (PP) nos Estados Unidos e na Europa garantiram à petroquímica resultado operacional recorde.

De janeiro a março, a receita líquida da companhia subiu 19,4% na comparação anual, para R$ 12,17 bilhões, enquanto o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) alcançou R$ 3,06 bilhões, o dobro do apurado umano antes e o maior já registrado pela petroquímica em um trimestre. A margem Ebitda, por sua vez, avançou 10,6 pontos percentuais, para 25,1%.

As exportações de resinas no intervalo totalizaram 415 mil toneladas, um aumento de 62% na comparação anual, e as vendas no mercado doméstico caíram 18%, a 780 mil toneladas, em linha com o encolhimento do mercado. Já as vendas externas dos principais petroquímicos básicos caíram 12%, para 262 mil toneladas, diante da maior destinação de propeno para produção de polipropileno, que foi recorde de exportação no trimestre.

De acordo com o vice-presidente de Finanças e de Relações com Investidores da Braskem, Pedro Freitas, o ritmo de queda das vendas domésticas visto no primeiro trimestre tende a não se repetir nos próximos intervalos, uma vez que o início do ano passado havia sido “excepcionalmente forte”, beneficiado pelo movimento de reposição de estoques na cadeia de resinas.

O forte desempenho dos negócios internacionais de polipropileno, sobretudo nos Estados Unidos, levou a Braskem a olhar oportunidades de compra de ativos. “A companhia está avaliando oportunidades de desgargalamento de linhas e a construção de novas linhas, mas continuamos abertos a oportunidades de aquisição no mercado”, disse Musa. Entre o fim do ano e o início de 2017, a companhia prevê encaminhar à aprovação do conselho de administração o projeto de construção da sexta linha de PP nos Estados Unidos.

Ainda naquele país, a Braskem está convertendo uma de suas linhas de produção para a fabricação de polietileno de ultra alto peso molecular (marca UTEC), o que permitirá a entrada da companhia no mercado americano de polietilenos.

Em 2016, a Braskem pretende investir R$ 3,67 bilhões em suas operações. No primeiro trimestre, Exportações de resinas no primeiro trimestre somaram 415 mil toneladas, alta de 62% na comparação anual os desembolsos totalizaram R$ 746 milhões. A maior parte dos recursos, ou R$ 516 milhões, foi direcionada para o Complexo Petroquímico do México, que receberá R$ 1,33 bilhão neste ano. De acordo com Musa, os aportes no complexo mexicano estão em fase de transição de investimento relacionada à partida do empreendimento para desembolsos de natureza de manutenção. “Estamos finalizando o investimento do projeto”, comentou. No total, o complexo mexicano exigiu investimento de R$ 5,2 bilhões.

A central petroquímica do México entrou em operação em 18 de março, ante previsão inicial de começo de operação no fim do ano passado, e no início de abril a primeira linha de polietileno entrou em atividade. A segunda linha começou a produzir polietileno em 28 de abril e a terceira está em fase de partida, neste momento. “A resina do México já está sendo vendida”, acrescentou Musa.

De janeiro a março, a Braskem registrou lucro líquido atribuível aos acionistas controladores de R$ 774,7 milhões, uma alta de 208% frente ao ganho atribuível de R$ 251,4 milhões apurado um ano antes. Em março, a dívida líquida da companhia era de R$ 18,98 bilhões, com queda de 10% frente ao endividamento apurado em dezembro.

A alavancagem financeira medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda era de 1,72 vez no fim do trimestre, frente a 2,23 vezes três meses antes, considerando os valores em reais. Em dólar, o indicador ficou igualmente em 1,72 vez em março — o menor patamar em dez anos, segundo comentário de desempenho que acompanha o balanço.