Nafta cai mais de 60%, mas não chega ás resinas

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Nafta cai mais de 60%, mas não chega ás resinas

2017-09-11T19:56:59+00:00 janeiro 15th, 2015|Notícias|0 Comentários

Apesar da queda superior a 60% do preço da nafta no mercado internacional desde meados do ano passado, acompanhando o recuo acelerado da cotação do barril de petróleo, a indústria brasileira de produtos plásticos segue desalinhada do mercado global, conforme entidades e fabricantes do setor ouvidos pelo Valor. A nafta, principal insumo, saiu de US$ 970 a tonelada na época para US$ 372 na terça-feira. No mesmo período, de pouco mais de meio ano, o barril variou da faixa de US$ 110 para US$ 45.

A avaliação é que, enquanto o valor dos produtos petroquímicos vêm caindo nos principais mercados, como Estados Unidos, Ásia e Europa, os efeitos da queda da nafta sobre os preços das resinas plásticas – as duas principais são polietileno e polipropileno – ainda não chegaram ao setor de transformação do plástico no Brasil. Pelo contrário, a desvalorização do real frente ao dólar tem puxado para cima os preços das resinas, afirma o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis (Abief), Sérgio Carneiro. O último reajuste, segundo o executivo, foi aplicado em novembro.

Carneiro, contudo, diz acreditar numa tendência de queda nos preços dos insumos petroquímicos para a indústria de plásticos já a partir deste mês. “Existe uma expectativa de que haja reajustes para baixo na segunda quinzena para os polímeros consumidos pela cadeia de transformadores, como polietileno e polipropileno”, disse o presidente da Abief.

A aposta do executivo é que a terceira geração da indústria petroquímica (setor de transformação de plásticos) aproveite o momento para equilibrar melhor suas margens, apertadas pelos reajustes dos preços dos petroquímicos em 2014. “A velocidade de reajustes no segundo semestre de 2014 foi muito grande e os transformadores têm trabalhado com margens apertadas. Com a interrupção do ciclo de reajustes em novembro e diante da expectativa de baixa nos preços da matéria-prima, o setor terá tempo para equalizar as margens. É emergencial”, defende Carneiro.

Enquanto isso, os preços dos produtos petroquímicos caíram em dezembro cerca de 10%, nos principais mercados do mundo, na comparação com novembro, de acordo com índice global IPEX, da consultoria ICIS, composto por 12 produtos, entre eles etileno, metanol, PVC, polietileno e polipropileno. Desde julho, a queda do índice, que considera os mercados dos EUA, nordeste da Ásia e Europa, é de 23%.

“A pressão para baixo dos preços no mercado internacional vai acabar pressionando os preços aqui, só que o mercado brasileiro não funciona como um mercado aberto, como os EUA e Ásia. Embora a indústria petroquímica de certa maneira esteja relacionada com o mercado global de commodities, não devemos esperar que esse repasse aconteça rápido”, afirma o diretor e sócio da consultoria MaxiQuim, João Luiz Zuñeda, que também aposta num cenário de queda de preços das resinas no curto prazo no Brasil.

Zuñeda avalia que num primeiro momento os produtores aproveitarão para recuperar margens, mas que os preços das resinas vão cair. “No curto prazo, os preços vão se acomodar num viés de baixa. Isso vai ter que acontecer. Queira ou não queira, o preço do petróleo está caindo, aumentando a rentabilidade da indústria de plásticos no mundo”, diz.
Para o consultor, a redução dos preços dará um fôlego para que essa indústria invista e recomponha suas margens. Zuñeda, contudo, destacou que o recuo dos preços, sozinho, não resolverá os entraves dos investimentos do setor petroquímico no Brasil, no longo prazo. Ele cita a necessidade de recuperação da capacidade de investimento da Petrobras e de revisão das fórmulas de precificação da nafta negociada pela estatal, para que os preços reflitam os preços praticados nos mercados mais competitivos do mundo.
“A Braskem está trabalhando com uma fórmula em aberto, sem saber o que pode acontecer. Como investir assim no Brasil? A fórmula atual está relacionada aos preços da Europa e nos mercados mais competitivos, que incluem os EUA e Oriente Médio. Estamos nos relacionando com uma fórmula atrelada aos preços mais caros da nafta. Assim, a nafta no Brasil sempre vai estar mais cara em relação ao mundo, independente da cotação do preço do petróleo”, disse o consultor. O mercado europeu toma por base o ARA, em referência aos portos de Amsterdã, Roterdã e Antuérpia.

Em agosto de 2014, a Braskem e a Petrobras assinaram um aditivo ao contrato de nafta, válido até o mês fevereiro, mantendo as condições atuais de fornecimento do petroquímico até o fechamento de um novo contrato de longo prazo. As indefinições em torno do acordo preocupam o setor.

A companhia petroquímica consome cerca de 10 milhões de toneladas ao ano do insumo, das quais 70% fornecidas pela estatal. A diferença é importada. A empresa tem dito que o acordo visa chegar a “uma equação que dê competitividade para a cadeia petroquímica do país como um todo”. Procurada, a Braskem não se pronunciou sobre o assunto.

De acordo o presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Fernando Figueiredo, desde que Braskem e Petrobras começaram a conversar, os preços do petróleo e da nafta no mercado internacional despencaram, aumentando as incertezas sobre o novo contrato.

“É outro mundo. Por um lado, [a retração do preço do barril] deveria haver uma queda no preço da nafta. De outro, a gente sabe da necessidade de a Petrobras em recuperar seu caixa. Eu posso imaginar que a discussão está bem mais complicada agora”, afirmou.

Segundo uma fonte do setor, a queda nos preços dos insumos básicos, como a nafta, afeta as margens da chamada primeira geração (caso da Braskem) e, no curto prazo, com a volatilidade nos preços do petróleo, o impacto é maior, pois teve de fazer estoques com insumos mais caros.

O futuro é ainda de incerteza e vai depender muito de como o mercado vai se acomodar e quando o preço do barril vai parar de cair. No atual patamar, o mercado vai tender a um ajuste estrutural (produção e investimentos).

Fonte: http://www.valor.com.br/empresas/3860768/nafta-cai-mais-de-60-mas-nao-chega-resinas

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